08 maio 2013

Quando a moda já chega atrasada

Adriana Degreas                                                                         Acquastudio



A moda, sistema que valoriza o novo e se preocupa em tornar obsoleto tudo aquilo que de tempos em tempos deve ser trocado. É a mecânica que mantém (até agora) o capitalismo, que dá conta de vender um mundo de produtos fabricados em série e que precisam encontrar os seus donos.
Para se desfazer de uma produção tão intensa, a moda se tornou cada vez mais rápida, e duas coleções anuais foram se transformando em três, quatro, cinco, seis... e já perdemos as contas.
Enquanto isso, a internet espalha as informações em alta velocidade. Coleções que são lançadas um ano antes de chegar nas lojas, rapidamente são difundidas em vídeos e fotos fazendo com que a tendência e a informação cheguem no mesmo dia ao público consumidor... e quando aquela moda enfim chega às vitrines, já chega atrasada.
Essa foi a minha sensação ao assitir os desfiles da maior semana de moda do Brasil, a São Paulo Fashion Week. Preto e branco, listras, grafismos... será que eu já vi isso antes? E você, já viu? Com certeza, antes da informação chegar à passarela, ela já estava em revistas e principalmente, em sites especializados na internet, e quando enfim se espalham pelas vitrines, já estamos cansados de ver tudo em preto e branco.
Um exemplo bem próximo, foram as listras que dominaram o São Paulo Fashion Week em coleções que devem chegar às vitrines no final deste ano, quando as mesmas forem estampadas nas frentes de loja, as redes de fast fashion e os consumidores já estarão cansados delas... aliás, já faz quanto tempo que as listras estão aí?

Além da velocidade da informação outro assunto está em questão... o mundo chega ao seu esgotamento de capacidade de compra? Parece que estamos chegando no fim da linha, e o resultado mundial são crises que mostram que o sistema capitalista não é perfeito. As marcas e estilistas não têm mais coragem de propor uma quebra total dos padrões atuais e preferem se inserir na obviedade do que já está na moda, com medo de não vender.
A moda se rendeu à própria moda? Os lançadores de tendência agora se inspiram na moda da massa? E agora? Quem vai criar?

Eu conversei com o comunicólogo Jackson Araújo, profissional reconhecido nacionalmente, pensador de moda e pesquisador de tendências.  Falamos sobre esse esgotamento da criatividade, ou esgotamento da ousadia nos desfiles de moda, e sobre a velocidade da informação, dá só uma olhada:

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