09 janeiro 2019

Procura-se o novo: três vias de acesso para uma moda autêntica

Capa Vogue (dezembro, 1960)






A indústria da moda está cada vez mais rápida, mais dinâmica, mais tecnológica, mais democrática e mais... mais do mesmo. Não digo que deixaram de existir pessoas criativas ou marcas interessantes. Longe disso! Mas com o trem do tempo batendo na porta dos estilistas entrelaçados num sistema que exige coleções que se renovam cada vez mais rápido (algumas marcas já estão lançando coleções semanalmente), não é de se estranhar que a criatividade tenha passado a ser um valor descartável.

Até que ponto “mais” pode ser melhor, quando parece que estamos comprando sempre as mesmas coisas?  Os mesmos tipos de tecido ganham todas as vitrines porque são mais baratos ou mais fáceis de costurar em escala. Os mesmos modelos são copiados e recopiados à exaustão para que todos possam ter a artigo do momento. Modelagens cada vez mais secas e  peças cada vez menores, são as queridinhas da estação, faça frio ou calor, afinal, quem quer pagar por uma saia longa godê que leva mais de três metros de tecido?

Em tempos em que o minimalismo e a sustentabilidade são palavras de ordem,  ainda acho que estamos economizando da forma errada.

Pagar menos em mais peças sem caimento ou acabamento, está longe de ser a solução, entretanto, é isso o que fast fashions e muitas marcas estão nos propondo. Não é à toa que continuamos com a velha sensação de ter um guarda-roupa sobrecarregado de peças que não encantam.


Como fugir dessa armadilha que nos cerca por todos os lados e se exibe em todas (ou praticamente todas) as vitrines?

Pensando numa escapatória mágica desse “mais do mesmo”, criei uma trilha que simpatiza com os reais valores do minimalismo e da sustentabilidade. Para entrar nesse caminho, é preciso nadar contra a corrente e fugir dos atalhos por onde anda a multidão. Mas não é nos caminhos secretos onde se encontra o tesouro?

Para isso, separei aqui três vias de acesso para um guarda-roupa mais interessante, criativo e encantado, reservadas somente para aqueles que estão à procura de um “novo” que seja novo de verdade.



1.     Compre de marcas autorais e pequenos produtores

Eu diria que a primeira atitude para começar a consumir moda de uma forma mais inteligente e autêntica, seria olhar para as marcas que não estão no shopping: novos estilistas, marcas autorais, produtos sustentáveis. Olhar para pequenos empreendedores locais deixou de ser uma questão simplesmente “ecológica” e de pessoas corretas. É também uma questão de achar o diferente. É nas pequenas marcas onde o novo se encontra.


2.     Se proponha a gastar mais numa única peça

De que adianta comprar diversas roupas num único mês e no final acabar com aquele mesmo guarda-roupa sem graça? Peças fluidas (aquela que faz um movimento mágico quando você anda), tecidos com bom caimento e  costura de qualidade, geralmente custam mais caro. Trabalhos manuais que fazem toda a diferença, também. Mas são essas peças que vão brilhar na hora de montar o seu look. Aproveite faça valer cada centavo das suas roupas repetindo-as com criatividade.


3.     Faça você mesmo

Nada pode ser mais novo, único e autêntico do que um item produzido por você mesmo. E nem sempre é preciso fabricar uma roupa do zero. Basta um broche numa lapela, um lenço amarrado como cinto, um casaco que vira blusa, uma blusa que vira saia, uma camisa que ganha um bordado ou uma pintura. Não precisa ser super ousado, não precisa ser a revolução fashion do ano... basta ser do seu jeito.

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