29 maio 2020

É o fim das temporadas de moda? Um ritmo mais lento deve ser implementado por grandes marcas

Desfile Dior prêt-à-porter primavera/verão 2020


Já faz muito tempo que as temporadas de moda vem sendo questionadas e estes são algunas dos motivos:
1. As semanas de moda assumiram uma velocidade que os designers têm dificuldade de acompanhar;
2. As roupas estão se tornando descartáveis cada vez mais cedo;
3. Produzir seis desfiles por ano passou a ter um custo inviável para muitas empresas;
4. Quando as coleções desfiladas chegam às vitrines, o fast fashion já copiou as tendências e elas já se tornaram "velhas".

UMA BREVE HISTÓRIA DAS SEMANAS DE MODA
Os desfiles de moda começaram no século XIX (cerca de 1850), em Paris. O estilista Charles Worth abriu a primeira Maison e para alavancar a venda de suas roupas, definiu que deveria haver duas temporadas, acompanhando as mudanças das estações - primavera/verão e outono/inverno. Nesta época só existia a Alta Costura e nos desfiles estavam as clientes de Worth.

Os desfiles de moda como conhecemos hoje, com as Fashion Weeks de cada país, surgiram em 1943, em Nova York, e naquela época tinha o nome de "Press Week". Foi a primeira vez que se uniu diversas marcas e estilistas para desfilarem todos numa mesma época, com o objetivo de divulgar a moda americana à imprensa internacional e conseguir mais visibilidade numa época em que Paris estava inacessível por conta da II Guerra. Neste momento a moda ready-to-wear (pronto para vestir) já estava instalada.

Durante muito tempo os desfiles eram fechados para a imprensa e revendedores. Nas passarelas estavam as peças piloto, e era a partir dali que surgiam os pedidos dos produtos que ainda seriam fabricados e chegariam às vitrines cerca de seis meses depois. Nas revistas de moda, a imprensa (que também estava nos desfiles) exibiam com antecedência o que seria usado na próxima estação. Tudo era feito para gerar expectativa e garantir boas vendas.

Com a chegada da televisão, os desfiles passaram a ser exibidos ao público em geral. Com a internet essa velocidade tornou-se ainda maior, e os desfiles tornaram-se o que hoje chamamos de "fashion shows. Já não se tratava mais de mostrar peças piloto, mas de uma estratégia de marketing que envolvia toda a atmosfera do desfile, com grandes produções cinematográficas. Com a chegada das fast fashions criando coleções à velocidade da luz, as duas temporadas já não davam mais conta de acompanhar o novo ritmo da moda, e assim chegaram as coleções resort/cruise e pre-fall (pré-outono),  e separou o feminino do masculino. Num total, cada grande marca hoje faz de seis à oito desfiles por ano.

O custo dos desfiles tornou-se inviável até paras as marcas mais bem conceituadas do mundo, e hoje muitos designer questionam essa sazonalidade tão desenfreada da moda.

Como será o futuro da moda, ninguém ousa prever, afinal, as semanas de moda geram muito resultado de divulgação e tornaram-se excelente ferramentas de marketing. Mas o certo é que elas devem diminuir em quantidade. Algumas marcas já estão desfilando feminino/masculino juntos, como é o caso da Gucci.

CARTA DE ALESSANDRO MICHELE - designer da Gucci


Considerado hoje um dos principais nomes criativos - na minha opinião, o principal - Alessandro Michele, estilista da Gucci, anunciou mudanças radicais no calendário de lançamentos da marca e que vai deixar de pensar em temporadas e redefinir seus desfiles. 
“Abandonarei o ritual desgastado das sazonalidades e shows para montar uma nova cadência, mais próxima do meu meio de me expressar. Nos reuniremos apenas duas vezes por ano, para compartilhar os capítulos de uma nova história. Capítulos irregulares, alegres e absolutamente livres, que serão escritos combinando regras e gêneros, alimentando-se de novos espaços, códigos linguísticos e plataformas de comunicação”
Se outros designer assumirem a mesma postura, isso significa que as principais temporadas devem permanecer, mas as meia-estações serão dispensadas. Isso tornará a moda mais durável, as roupas e outros produtos ficarão menos descartáveis e isso, com certeza desenvolverá um mundo mais sustentável. Acredito que no fundo esse é o espírito do tempo da nossa geração, todos estão desejando um ritmo de vida menos acelerado no qual possamos desfrutar melhor cada momento e cada produto consumido.


22 maio 2020

Moschino une moda e arte em uma coleção inspirada em Pablo Picasso


Começaram a aparecer as primeiras imagens da campanha da coleção primavera/verão 2020 da Moschinho, no Instagram, e elas são deslumbrantes. Jeremy Scott fez uma bela junção entre moda e arte.

Picasso foi a inspiracional obsessão do designer Jeremy Scott para criar esta coleção. Em entrevista para a Vogue UK ele  contou que entrou no universo cubista e surrealista do artista espanhol devorando livros e documentários em uma total imersão no universo do artista espanhol.

O resultado é uma extravagante, artística e colorida coleção, com modelagens exageradas que dão novas proporções para o corpo feminino.

Entre as referências que remetem à Pablo Picasso, estão as touradas, os azulejos espanhóis, o mediterrâneo, paleta de cores vívidas e o abandono da simetria.









01 abril 2020

5 filmes para entender o mundo da moda


Quando a gente se apaixona pela foto de uma modelo em um desfile ou pela foto de um look de street style, o que estamos vendo, na verdade, é só o ponto final de uma loooonga história.

Mas, para enxergar DE VERDADE, todo o conteúdo que está por trás de uma dessas imagens, é preciso ter uma visão muito mais profunda, interessada e com conhecimento de causa.

Primeiro, é importante conhecer a cadeia de moda por completo; depois, entender os contextos históricos que se revelam através da vestimenta; também ser capaz de captar os detalhes e riquezas que estão por trás da produção de luxo; assim como captar também os efeitos e o preço das peças que são produzidas em da em massa; e por fim (mas não menos importante), compreender a essência mágica que envolve a comunicação, o conceito e o design.

Por isso, vou dividir aqui com vocês cinco filmes/séries/documentários que eu considero verdadeiras aulas de Moda. Cada um deles causou uma diferente "explosão" de ideias e informações na minha cabeça. JUNTOS,  eles são ainda mais poderosos.

1. The September Issue

O documentário exibe os bastidores da maior publicação de moda do mundo - A Vogue USA - durante a produção de edição de setembro, considerada a mais importante do ano.
A visão conceitual das coleções, as escolhas de modelos, os estilos fotográficos e como esse mundo imagético é criado para depois entrar de forma inconsciente no imaginário das pessoas.
Aqui você terá uma versão mais realista do filme "O Diabo veste Prada", e ver imagens reais das principais figuras da revista, entre elas, Anna Wintour, a editora chefe da revista até hoje.






2. Mr. Selfridges

O seriado (que está no Netflix) mostra o nascimento da Selfridge's, um imensa e luxuosa loja de departamento de Londres (que existe até hoje). A visão grandiosa do Mr. Selfridge exibe o nascimento do consumo como conhecemos nos dias de hoje. Mistura moda, cultura, comportamento do consumidor e o lugar da mulher na sociedade.
A loja abre suas portas no ano de 1910 e no desenrolar das histórias é possível acompanhar o nascimento do vitrinismo, dos desfiles de moda, das roupas prontas para comprar (até então só se comprava tecidos e aviamentos, e cada um costurava, ou pagava uma costureira para fazer suas roupas).
Indico que você veja com os olhos bem atentos para cada detalhe. É enriquecedor!





3. Dior and I

O documentário que conta a história da chegada do designer Raf Simons na Dior como diretor criativo da Maison Francesa, abre as portas da marca de Alta Costura e exibe todos os detalhes ricos e extravagantes do mais alto padrão da moda.
É uma aula sobre imagem da marca (branding), processos criativos, produção de conceitos, processos artesanais e mais um milhão de coisas que nem sempre estão ditas, mas estão à um foco do olhar.
Se você quer entender o universo da Alta Costura e a produção de moda no nível mais próximo da arte, esse é um bom começo.





4. The true Cost

Nem só de imagens estéticas é feita a moda. Por trás de editoriais de moda extravagantes, desfiles estonteantes e lojas impressionantes, existe uma cadeia pressionada para produzir cada vez mais e melhor, pelos menores preços possíveis (ou impossíveis?)

O documentário e movimento chamado 'The True Cost" denuncia a dura, feia e cruel realidade da indústria moda que a imprensa insiste em não mostrar. Graças à internet, esse filme chegou ao mundo inteiro, mostrando o que está lá na outra desse universo.

Ele não faz da moda em si, uma vilã, mas propõe uma reflexão acerca do consumo em massa, da baixo custo das peças e da velocidade do consumo.

Acredito ser um conhecimento básico para quem quer trabalhar com moda.




5. Diana Vreeland: the eye has to travel

Você já ouviu falar de Diana Vreeland? Ela é um dos ícone de moda mais importantes do mundo. Muita gente não a conhece, porque ela é... digamos assim, vintage.

A editora ficou famosa por seu olhar extravagante e extrema autenticidade. Era uma workaholic (e uma mãe ausente), com uma visão moderna e artística. E o trabalho dela aconteceu numa época (entre as décadas de  1950 e 1970) em que a moda se tornou uma das mais poderosas ferramentas de revolução cultural.
Fico arrepiada cada vez que vejo esse trailer. O vídeo como um todo, é uma verdadeira inspiração para todas as áreas da moda.

17 março 2020

Meu look: Chemise rosé e bolsa Catarina Mina


Adoro peças únicas (vestido, chemise, macacão), acho descomplicadas e perfeitas para aqueles dias de pressa que exigem uma visão prática do guarda-roupa.
Elas são completas! A gente adiciona alguns acessórios e pronto.
Dessa vez sai de casa toda florzinha, num look monocromático. Como o rosé é um dos meus tons favoritos, foi fácil encontrar peças para coordenar.
Nos cabelos, uma tiara e tchan: os cabelos estão arrumados.
Mais fácil e práticos, impossível.




16 março 2020

Frase da Semana: Fútil? Não.

Toda segunda-feira será dia de frases de moda por aqui.
Essa está no livro "Conferências escritas por Christian Dior para a Sorbonne, 1955-1957", com autoria do próprio C.Dior
#moda #frases #modainteligente #modaacademica #ChristianDior #Dior

12 março 2020

Cintos de corrente estão de volta - e você vai se apaixonar

Quem aí já usou um cinto de corrente na vida? A moda que foi utilizada na década de 1990 logo depois foi condenada pela comunidade fashionista e vista como "brega" (como acontece com toda trend que perde a validade).

Mas como a moda também ama ver a gente queimando a língua (quem foi que não condenou as pochetes? E cá estão elas como símbolo da galera descolada e cool), lá vem a tendência dos cintos de corrente de novo. Pois é!

Acredito que num primeiro momento a novidade causará estranheza, mas assim como os tênis esportivos ganharam o amor daquelas que disseram "não desço do salto", as correntinhas penduradas na cintura, em breve, devem conquistar muitos adeptos.




Mas antes que você se sinta uma vítima da moda, deixa eu te contar: a tendência foi lançada por, nada mais, nada menos, que Chanel, a marca ícone da elegância.

Embora também tenha aparecido em outros desfiles, como no do britânico Alexander McQueen e nas passarelas da marca italiana Valentino, os cintos se consolidaram mesmo sob a visão da estilista da Chanel, Virginie Viard.

Longe de uma pegada sensual, Virginie traz o cinto com várias correntes penduradas e com a logo da maison, é empregada de uma forma delicada e com uma pegada extremamente casual, ou seja, todo mundo consegue usar.

A primeira vez que eles apareceram em destaque foi no desfile passado de ready-to-wear, na edição de primavera/verão (que é a estação na qual estamos entrando, ou seja, é tendência para este momento mesmo). Mas a pegada fashion se repetiu no desfile de inverno (que deve chegar nas lojas no meio do ano) e já se instalou no street style através dos trendsetters (aqueles que ousam ser os primeiro a usar uma tendência).


 No street style a gente consegue ter uma uma visão melhor de como a nova tendência pode ser usada no dia a dia. E pasme, o cinto de correntes pode ter uma pegada bem elegante, permeando, inclusive, o ambiente profissional ou eventos noturnos. Vocês já estão começando a gostar deles?
Se você ainda não se apaixonou, aqui está um mood board com dezesseis imagens, e






04 março 2020

A tendências e detalhes do desfile Chanel

Em uma superprodução minimalista em tons de preto e branco (a clássica combinação da marca), o desfile da Chanel abraçou as questões feministas e apostou na liberdade feminina.
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"Libredade", declarou* a designer Virginie Viard (estilista que assumiu a direção criativa da Chanel desde a morte de Karl Lagerfeld) no backstage do desfile. Acredito que essa coleção mostra que Viard encontrou o seu caminho na direção da Chanel.

Diferente de Karl Lagerfeld que era conhecido por ser mais tradicional (embora extremamente criativo e antenado), Virginie apostou numa mulher livre, utilizando a clássica linguagem Chanel em looks confortáveis, jovens e com glamour moderado.

Dentro dessa onda de empoderamento feminino, o tema não parece ser muito criativo. O "girl power" e os questionamentos sobre o papel da mulher na sociedade, virou pauta de praticamente todas as apresentações, desfiles e eventos de moda.

O que a Chanel traz de novidade, é o reforço sobre a empatia, mulheres apoiando outras mulheres, mulheres acreditando e valorizando outras mulheres. Essa mensagem aparece na passarela com as modelos entrando em grupos, umas ao lado das outras, em alguns momentos, inclusive de mãos dadas.
*De acordo com matéria da Vogue UK
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A Chanel foi mais uma das marcas que mergulhou num passado distante para trazer novas inspirações para a coleção de outono/inverno 2020. (veja no post anterior)

INSPIRAÇÃO EDUARDIANA
A época é início do século XX (entre 1900 e 1920), e o lugar, é a Inglaterra. A Era Eduardiana corresponde ao tempo do reinado de Eduardo VII (Edward VII), quando a Inglaterra passou por profundas mudanças sociais.

Embora dê a impressão de que estamos falando de um momento rígido, foi também nesta época que as sufragistas lutaram pelo direito ao voto feminino, e é, portanto, um marco importante para o movimento feminista.

Na moda, o estilo eduardiano é marcado pelas golas super trabalhadas, os fraques  e casacos com o recorte arredondado na barra e os colares próximos ao pescoço com um grande pingente no centro.










02 março 2020

NYFW: uma viagem no tempo através dos desfiles de out/inv 2020


Que muitas marcas inspiram-se no passado para criar as suas coleções, a gente já sabe. Mas no caso da edição de out/inv 2020 da semana de moda de Nova York - que aconteceu entre os dias 06 e 12 de fevereiro de 2020 - os desfilem foram uma verdadeira ode à história da moda, relembrando cores, silhuetas, cortes e estampas de décadas e até séculos passados, incluindo a era medieval, que data o nascimento da moda.

Aqui tem uma seleção das épocas que mais foram marcadas pelos desfiles americanos, com um pouquinho de história de cada um desses momentos.
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Não existe um consenso exato quanto à data em que o sistema da moda surge, mas é certo que ela está entre o final da era medieval e o início da Idade Moderna, entre os séculos XIII e XIV.
Como esse processo se construiu lentamente, podemos dizer o século XV (1600) ainda era também uma fase em que a moda estava nascendo.

As roupas, jóias e acessórios de cabelo, eram cada vez mais importantes para determinar o lugar dos personagens da corte, e todos estavam lutando pelo seu devido espaço, sempre almejando uma escalada social. A moda ainda era restrita aos bem nascidos, mas já tinha o movimento incessante na procura pela novidade.

Ombreiras e mangas bufantes demonstravam poder, enquanto os quadris femininos eram enlarguecidos mostrando o potencial da mulher em ter muitos filhos.

Fora da corte, lutando para conquistar novos territórios ou defendendo a visão religiosa extremista de alguns reis, soldados vestiam suas malhas de metal por baixo de armaduras de ferro e íam à guerra.
Muitos designers usam essas analogias para falar de uma mulher forte e empoderada, tema que vem se espalhando nos desfiles por todo o mundo.
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Chamada de Moda Império ou "Regency Costume", em inglês, essa tendência remete ao início do século XIV e lembra muito os filmes baseados no livros de Jane Austin - "Orgulho e Preconceito", "Razão e Sensibilidade" e "Emma" (que acabou de ser regravado).

Esse tipo de indumentária era típico dos "countrysides" (campo) nos subúrbios da Inglaterra, onde muitos burgueses fizeram grandes riquesas e verdadeiros palácios.

Enquanto os tecidos mais armados como brocados  e tecidos com brilho deviam ser exclusivamente usados pela realeza (garantido por lei!), tecidos mais fluidos foram usados pelos nobres.

Os vestidos tinham muitas camadas, mas lembravam camisolas, que se estendiam até o chão. Tinham um decote com corte quadrado, enquanto a "cintura" era marcada com uma fita, logo abaixo do busto. As cores eram claras, e as estampam, geralmente eram florais delicados.

Fora das casas, o ambiente era úmido, e o piso era de terra, por isso, as botas eram uma unanimidade entre homens e mulheres.

Alguns designers estão usando a releitura desse estilo na tentativa de retomar um olhar mais romântico e artístico, pensado para mulheres que frequentam galerias de arte.
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O militarismo costuma ser um tema sempre recorrente na semana de moda americana.
O estilo militar surge exatamente após os períodos pós-guerra, mas principalmente após a Segunda Guerra Mundial que aconteceu entre 1939 e 1945.

Não foi só uma questão de estilo.

Batalhas de grandes proporções levam os países a passarem por momentos de recessão e pobreza, o que levou a moda para um caminho mais prático e com baixos custos.

As roupas passaram a ser mais utilitárias, com muitos bolsos e botões. Brilhos e quaisquer outros tipos de exageros eram mal vistos, já que qualquer sinal de exuberância era uma verdadeira ofensa, em um momento onde todos deveriam estar evitando custos desnecessários.
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Quem nasceu após as décadas de 1960 e 1970 não consegue ter a real proporção do que foi a revolução da juventude.  Até esse momento da história os adultos ditavam as regras do mundo... e portanto, da moda.

Foi só a partir dos nos anos 60 que os jovens se viram como autores das suas vidas e passaram a revolucionar o mundo com suas visões de mundo.

Na moda, os grandes marcos são:
1. A saia curta, 20cm acima do joelho, criada pela britânica Mary Quant, o novo comprimento dos vestidos, saias e shorts chocou e marcou a década.
2. A cintura marcada, que foi tão importante na década de 50, perde espaço para vestidos tubinhos com corte reto e trapézios.

Para buscar mais referências dessa época, a melhor personagem é a eterna Jackie Kennedy.

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13 fevereiro 2020

A Campanha de ss 2020 da Fendi levou o retrô a um novo nível

Com painéis de acrílico em tons doces, a nova campanha da marca italiana Fendi é um conjunto de imagens com perfume retrô e detalhes contrastantes.
Os looks me lembram a série Mad Men, que se passa entre os anos 60 e início dos 70, quando os tons pastel da dona de casa doce e delicada se encontram com os florais e padronagens ousadas do movimento flower power. O resultado é uma mulher delicada mas autêntica e feliz, que desabrocha em tons cítricos, diminui o tamanho da saia e se liberta em padronagens fluidas.

De acordo com a própria marca, o conceito da coleção são "flores impossíveis e texturas etéreas que se entrelaçam para enganar os olhos em momentos delicados da missão artesanal da Fendi. Invadindo a decadência oculta do cotidiano. Expressões desfeitas da nova energia burguesa". 

Na minha interpretação, eles falam exatamente desse momento de transição em que as mulheres estavam presas em suas casas nas zonas burguesas, vestidas em tubinhos perfeitos em tons pastel, fingindo a felicidade (por isso a decadência oculta do cotidiano) e passam a ganhar espaço nas ruas com a chegada dos novos valores sociais de liberdade, com o movimento hippie e o surgimento da pílula anticoncepcional. A mulher vira dona do próprio corpo e sai do cárcere do casamento social. 

Acho que a campanha abraça perfeitamente essa proposta através dos tons dos acrílicos e dos objetos de cena, os looks com tons que vão do rosé às estampas cítricas e as poses das modelos que dão a ideia de movimento e liberdade.

Modelos: Rianne van Rompaey, Jing Wen and Adut Akech
Fotos: Nick Knight
Direção criativa: Silvia Venturini Fendi










07 fevereiro 2020

Big Four: entenda como se organizam os principais desfiles de moda do mundo

Marc Jacobs verão 2019 - New York Fashion Week
Primeira coisa: quer ficar por dentro das notícias de moda, até mesmo aquelas pequenas? Então me segue no @ligianott, porque tem muita informação no feed e nos stories que não estão aqui!

O momento mais ilustre do universo fashion acontece nas célebres semanas de moda. É nelas onde as marcas podem exibir a parte mais glamourosa dos seus trabalhos e onde habita o material mais interessante para jornalistas e público em geral, seja dentro da passarelas ou fora delas, com os looks de street style.

TEMPORADA DE INVERNO 2020
Nesta quinta, dia 06.02, se deu o início da temporada de inverno 2020 com a primeira capital da moda: Nova York, nos Estados Unidos.
Embora seja a primeira do calendário oficial,  ela não tem sido a mais importante. Na verdade, a semana de moda da "Big Apple" está bastante desacreditada, com importantes marcas americanas levando os seus desfiles para outros lugares e em datas diferentes. Mas, de toda forma, continua sendo umas das mais importantes do mundo, estando entre as quatro principais capitais da moda no mundo.


BIG FOUR
O termo "big four" ou "grandes quatro" é usado para designar as quatro capitais mais importantes dos desfiles de moda. Quanto falamos de temporadas de desfiles, estamos falando sempre dessas quatro cidades que são:

Capitais da Moda - datas dos desfiles de Inverno 2020
1. Nova York - 06 a 12.02.2020
2. Londres - 13 a 18.02.2020
3. Milão (na Itália se chama Milano Moda Donna) - 18 a 24.02.2020
4. Paris - 24.02.2020 a 03.03.2020

A sequência de desfiles segue sempre essa ordem, começando pela New York Fashion Week (NYFW), logo em seguida a London Fashion Week (LFW) , depois a Milan Fashion Week (MFW) e por último e mais importante, Paris Fashion Week (PFW).
Na verdade, hoje a ordem é crescente, começando pela semana menos importante, caminhando para o "grande finale" em Paris.


O QUE ACONTECE ALÉM DAS "BIG FOUR"
É lógico que existem outras semanas de moda muito importantes como a de Tokio, no Japão e nossa São Paulo Fashion Week, que é reconhecida como a maior semana de moda depois das Big Four e da semana de Alta Costura.

Essas outras semanas de moda se organizam a partir das Big Four, já que não é muito esperto chocar com as datas das capitais da moda, em vista que os jornalistas e os holofotes estarão todos por lá. Fazer algum evento de moda na mesma data da temporada oficial, significa ficar abandonado pela mídia. E chamar a atenção da mídia espontânea, como a gente chama essa aparição em revistas, blogs, jornais e redes sociais - ou seja, mídia não paga - é o principal objetivo dos desfiles.

Brandon Maxwell verão 2019 - New York Fashion Week




16 janeiro 2020

Olho tudo, pele nada: as makes incríveis de Lucy Boynton


A atriz britânico-americana Lucy Boynton ganhou fama ao atuar no filme Bohemian Rhapsody e logo começou a aparecer nos tapetes vermelhos. Mas o seu rostinho (lindo!!!) passou a estampar as páginas (hoje digitais) de revistas e inundou as redes sociais por causa das suas maquiagens super originais e pasme, sem exageros.

A responsável pelas makes dela é a make-up artist Jo Baker, que junto ao estilo irreverente da atriz, tornou Lucy Boynton no rostinho mais querido do universo da moda quando o assunto é maquiagem.

O que eu mais amo nas makes dela é o foco total no olho, uma marca já registrada da maquiadora que capricha na máscara de cílios, deixando o olhar bem marcado. As cores dão destaque ao olhar junto à muito rímel (valendo também ousar nos coloridos), enquanto a pele fica super natural, ou até um pouco apática. Enquanto isso, na boca, podem vir tons claros ou vibrantes, tudo vai depender da combinação de cores e da harmonia com o todo.
“Se vou dar destaque para uma área do rosto, eu geralmente prefiro manter o resto mais simples. Eu acho que é uma maneira fácil de manter um look moderno”, explica a maquiadora Jo Baker
A maquiadora também ressalta que em uma make colorida é importante deixar a pele com uma cobertura natural, e o segredo é o corretivo em pontos específicos. Isso previne que a make acabe parecendo pesada demais ou, até mesmo, teatral.

O mais legal é que as makes dela são mais interessantes e criativas do que exageradas, então são perfeitas para servir de inspiração. Além de que todas têm um pezinho no vintage. Não é o máximo? Eu escolhi 11 makes dela que são apaixonantes. Dá só uma olhada!