02 março 2020

NYFW: uma viagem no tempo através dos desfiles de out/inv 2020


Que muitas marcas inspiram-se no passado para criar as suas coleções, a gente já sabe. Mas no caso da edição de out/inv 2020 da semana de moda de Nova York - que aconteceu entre os dias 06 e 12 de fevereiro de 2020 - os desfilem foram uma verdadeira ode à história da moda, relembrando cores, silhuetas, cortes e estampas de décadas e até séculos passados, incluindo a era medieval, que data o nascimento da moda.

Aqui tem uma seleção das épocas que mais foram marcadas pelos desfiles americanos, com um pouquinho de história de cada um desses momentos.
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Não existe um consenso exato quanto à data em que o sistema da moda surge, mas é certo que ela está entre o final da era medieval e o início da Idade Moderna, entre os séculos XIII e XIV.
Como esse processo se construiu lentamente, podemos dizer o século XV (1600) ainda era também uma fase em que a moda estava nascendo.

As roupas, jóias e acessórios de cabelo, eram cada vez mais importantes para determinar o lugar dos personagens da corte, e todos estavam lutando pelo seu devido espaço, sempre almejando uma escalada social. A moda ainda era restrita aos bem nascidos, mas já tinha o movimento incessante na procura pela novidade.

Ombreiras e mangas bufantes demonstravam poder, enquanto os quadris femininos eram enlarguecidos mostrando o potencial da mulher em ter muitos filhos.

Fora da corte, lutando para conquistar novos territórios ou defendendo a visão religiosa extremista de alguns reis, soldados vestiam suas malhas de metal por baixo de armaduras de ferro e íam à guerra.
Muitos designers usam essas analogias para falar de uma mulher forte e empoderada, tema que vem se espalhando nos desfiles por todo o mundo.
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Chamada de Moda Império ou "Regency Costume", em inglês, essa tendência remete ao início do século XIV e lembra muito os filmes baseados no livros de Jane Austin - "Orgulho e Preconceito", "Razão e Sensibilidade" e "Emma" (que acabou de ser regravado).

Esse tipo de indumentária era típico dos "countrysides" (campo) nos subúrbios da Inglaterra, onde muitos burgueses fizeram grandes riquesas e verdadeiros palácios.

Enquanto os tecidos mais armados como brocados  e tecidos com brilho deviam ser exclusivamente usados pela realeza (garantido por lei!), tecidos mais fluidos foram usados pelos nobres.

Os vestidos tinham muitas camadas, mas lembravam camisolas, que se estendiam até o chão. Tinham um decote com corte quadrado, enquanto a "cintura" era marcada com uma fita, logo abaixo do busto. As cores eram claras, e as estampam, geralmente eram florais delicados.

Fora das casas, o ambiente era úmido, e o piso era de terra, por isso, as botas eram uma unanimidade entre homens e mulheres.

Alguns designers estão usando a releitura desse estilo na tentativa de retomar um olhar mais romântico e artístico, pensado para mulheres que frequentam galerias de arte.
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O militarismo costuma ser um tema sempre recorrente na semana de moda americana.
O estilo militar surge exatamente após os períodos pós-guerra, mas principalmente após a Segunda Guerra Mundial que aconteceu entre 1939 e 1945.

Não foi só uma questão de estilo.

Batalhas de grandes proporções levam os países a passarem por momentos de recessão e pobreza, o que levou a moda para um caminho mais prático e com baixos custos.

As roupas passaram a ser mais utilitárias, com muitos bolsos e botões. Brilhos e quaisquer outros tipos de exageros eram mal vistos, já que qualquer sinal de exuberância era uma verdadeira ofensa, em um momento onde todos deveriam estar evitando custos desnecessários.
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Quem nasceu após as décadas de 1960 e 1970 não consegue ter a real proporção do que foi a revolução da juventude.  Até esse momento da história os adultos ditavam as regras do mundo... e portanto, da moda.

Foi só a partir dos nos anos 60 que os jovens se viram como autores das suas vidas e passaram a revolucionar o mundo com suas visões de mundo.

Na moda, os grandes marcos são:
1. A saia curta, 20cm acima do joelho, criada pela britânica Mary Quant, o novo comprimento dos vestidos, saias e shorts chocou e marcou a década.
2. A cintura marcada, que foi tão importante na década de 50, perde espaço para vestidos tubinhos com corte reto e trapézios.

Para buscar mais referências dessa época, a melhor personagem é a eterna Jackie Kennedy.

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