29 maio 2020

É o fim das temporadas de moda? Um ritmo mais lento deve ser implementado por grandes marcas

Desfile Dior prêt-à-porter primavera/verão 2020


Já faz muito tempo que as temporadas de moda vem sendo questionadas e estes são algunas dos motivos:
1. As semanas de moda assumiram uma velocidade que os designers têm dificuldade de acompanhar;
2. As roupas estão se tornando descartáveis cada vez mais cedo;
3. Produzir seis desfiles por ano passou a ter um custo inviável para muitas empresas;
4. Quando as coleções desfiladas chegam às vitrines, o fast fashion já copiou as tendências e elas já se tornaram "velhas".

UMA BREVE HISTÓRIA DAS SEMANAS DE MODA
Os desfiles de moda começaram no século XIX (cerca de 1850), em Paris. O estilista Charles Worth abriu a primeira Maison e para alavancar a venda de suas roupas, definiu que deveria haver duas temporadas, acompanhando as mudanças das estações - primavera/verão e outono/inverno. Nesta época só existia a Alta Costura e nos desfiles estavam as clientes de Worth.

Os desfiles de moda como conhecemos hoje, com as Fashion Weeks de cada país, surgiram em 1943, em Nova York, e naquela época tinha o nome de "Press Week". Foi a primeira vez que se uniu diversas marcas e estilistas para desfilarem todos numa mesma época, com o objetivo de divulgar a moda americana à imprensa internacional e conseguir mais visibilidade numa época em que Paris estava inacessível por conta da II Guerra. Neste momento a moda ready-to-wear (pronto para vestir) já estava instalada.

Durante muito tempo os desfiles eram fechados para a imprensa e revendedores. Nas passarelas estavam as peças piloto, e era a partir dali que surgiam os pedidos dos produtos que ainda seriam fabricados e chegariam às vitrines cerca de seis meses depois. Nas revistas de moda, a imprensa (que também estava nos desfiles) exibiam com antecedência o que seria usado na próxima estação. Tudo era feito para gerar expectativa e garantir boas vendas.

Com a chegada da televisão, os desfiles passaram a ser exibidos ao público em geral. Com a internet essa velocidade tornou-se ainda maior, e os desfiles tornaram-se o que hoje chamamos de "fashion shows. Já não se tratava mais de mostrar peças piloto, mas de uma estratégia de marketing que envolvia toda a atmosfera do desfile, com grandes produções cinematográficas. Com a chegada das fast fashions criando coleções à velocidade da luz, as duas temporadas já não davam mais conta de acompanhar o novo ritmo da moda, e assim chegaram as coleções resort/cruise e pre-fall (pré-outono),  e separou o feminino do masculino. Num total, cada grande marca hoje faz de seis à oito desfiles por ano.

O custo dos desfiles tornou-se inviável até paras as marcas mais bem conceituadas do mundo, e hoje muitos designer questionam essa sazonalidade tão desenfreada da moda.

Como será o futuro da moda, ninguém ousa prever, afinal, as semanas de moda geram muito resultado de divulgação e tornaram-se excelente ferramentas de marketing. Mas o certo é que elas devem diminuir em quantidade. Algumas marcas já estão desfilando feminino/masculino juntos, como é o caso da Gucci.

CARTA DE ALESSANDRO MICHELE - designer da Gucci


Considerado hoje um dos principais nomes criativos - na minha opinião, o principal - Alessandro Michele, estilista da Gucci, anunciou mudanças radicais no calendário de lançamentos da marca e que vai deixar de pensar em temporadas e redefinir seus desfiles. 
“Abandonarei o ritual desgastado das sazonalidades e shows para montar uma nova cadência, mais próxima do meu meio de me expressar. Nos reuniremos apenas duas vezes por ano, para compartilhar os capítulos de uma nova história. Capítulos irregulares, alegres e absolutamente livres, que serão escritos combinando regras e gêneros, alimentando-se de novos espaços, códigos linguísticos e plataformas de comunicação”
Se outros designer assumirem a mesma postura, isso significa que as principais temporadas devem permanecer, mas as meia-estações serão dispensadas. Isso tornará a moda mais durável, as roupas e outros produtos ficarão menos descartáveis e isso, com certeza desenvolverá um mundo mais sustentável. Acredito que no fundo esse é o espírito do tempo da nossa geração, todos estão desejando um ritmo de vida menos acelerado no qual possamos desfrutar melhor cada momento e cada produto consumido.


22 maio 2020

Moschino une moda e arte em uma coleção inspirada em Pablo Picasso


Começaram a aparecer as primeiras imagens da campanha da coleção primavera/verão 2020 da Moschinho, no Instagram, e elas são deslumbrantes. Jeremy Scott fez uma bela junção entre moda e arte.

Picasso foi a inspiracional obsessão do designer Jeremy Scott para criar esta coleção. Em entrevista para a Vogue UK ele  contou que entrou no universo cubista e surrealista do artista espanhol devorando livros e documentários em uma total imersão no universo do artista espanhol.

O resultado é uma extravagante, artística e colorida coleção, com modelagens exageradas que dão novas proporções para o corpo feminino.

Entre as referências que remetem à Pablo Picasso, estão as touradas, os azulejos espanhóis, o mediterrâneo, paleta de cores vívidas e o abandono da simetria.